O corpo na fotografia - Entrevista com Dani Lopes

O corpo na fotografia - Entrevista com Dani Lopes

 

Dani Lopes é a autora das imagens do nosso mais recente editorial Mulher Aranha - A Teia. Nascida e criada em São Paulo, Dani pesquisa a imagem no corpo nu na fotografia, com maior ênfase no corpo feminino, propondo uma abordagem mais natural e crua dessa pele que nos veste e abriga.  
Em seu Instagram, seu Mundo Nu exalta as formas, texturas e movimentos do corpo em conexão com a natureza.


Nos encontramos para criar essas imagens da nova coleção, no contexto do Dia Internacional da Mulher, reforçando nossa vontade de falar sobre a autonomia de cada mulher sobre seu próprio corpo, vida e destino. 


Esse editorial fala s
obre estar no mundo como se deseja, ser o mundo, a natureza que nos rodeia. Sobre a capacidade de insistir, resistir, fincar dedos, agarrar-se a todas as narrativas que podemos criar para nós mesmas a despeito do que se estabelece como correto nesta sociedade enraizada em machismos, misoginia e tantas violências e censuras que sofremos e testemunhamos. 

Como foi seu início na fotografia? 

Desde pequena a fotografia era algo mágico pra mim. Meus pais tinham em casa aquelas analógicas grandonas e eu adorava olhar pra essas fotos antigas. Minha mãe sempre teve muito ciúmes das fotos e isso me fazia vê-las como um grande tesouro. Quando tinha 17 anos comprei minha primeira câmera, foi uma Kodak quadrada com lente fixa e aquele flashzão bem anos 90. Peguei um rolo 35mm e sai com meus amigos pelo centro de São Paulo fotografando. Depois de dois anos e muitos filmes queimados decidi investir em uma câmera digital. Na época eu costurava e pegava câmeras emprestadas para fazer as fotos das peças. Aprendi a editar na marra e fui criando meu estilo de edição. Foi com o dinheiro das roupas que comprei a câmera e decidi me dedicar 100% a fotografia.



E o projeto com nus, como começou? Seu trabalho com fotografia hoje foca mais nessa pesquisa? 

O nu foi ganhando espaço na minha vida de uma maneira muito natural, sempre usei o corpo para me expressar na dança, no teatro, e o corpo nu veio como uma descaracterização do que é externo. A partir do momento que vestimos uma roupa estamos vestindo uma classe social, um ideal, um gosto, e o nu nos traz pra um lugar natural, eu diria que até mais animalesco.
Hoje em dia todo trabalho artístico que eu faço tem corpos nus, seja na fotografia ou na direção de arte, já se tornou uma linguagem na minha marca pessoal. Trabalho também com audiovisual, dirigindo videoclipes de bandas autorais e fotografando sets de longa-metragens e documentários ao redor do Brasil.

Quais as questões que te interessem nessa investigação do corpo nu?
As imagens são sempre divulgadas no Instagram ou estão em outras plataformas? 

O projeto começou em 2018 com uma proposta chamada Pele e Concreto onde eu trazia o contraste do corpo e a arquitetura, a pele e a textura dos prédios era o que mais me encantava nessa época. Ao passar dos anos o nu foi se mostrando muito amplo pra mim e tomando várias frentes, deixou de ser só um projeto e se tornou uma linguagem dentro do meu trabalho.

Tive uma experiência de passar dois meses na Argentina expondo e convivendo com fotógrafos da mesma área. Passávamos dias fotografando grandes grupos e se fotografando entre si, o que abriu um novo mundo de massas corpóreas, textura e cores.

O nu, para mim, é um lugar de paz, conexão, livre de qualquer pré-conceito, de regresso às nossas raízes, e, nos ensaios, quero que as modelos estejam o mais confortável possível e sintam essa conexão também. Gosto de pensar no corpo como múltiplo, e explorar suas diversas sombras, ângulos, e as varias maneiras de um corpo interagir com um ambiente. É como uma dança, a minha lente, o ambiente e o corpo.

Hoje em dia prefiro fotografar grandes grupos e trabalhar a composição e cenários. Exponho e vendo minhas obras, atualmente, principalmente no Instagram, mas também tenho um site que tem toda essa história fotográfica arquivada. Também estou finalizando a primeira exposição que quero trazer pra São Paulo, um projeto chamado Los Abrazos.

 

 

Quais são suas referências? 

Eu diria que eu sou uma grande esponja ambulante. Sempre gostei de fotografar a rua e ela foi o palco onde criei minhas fotos mais incríveis.

O acaso e a naturalidade das coisas mais simples é o que me inspira. Minhas primeiras referencias visuais na arte foram as surrealistas Remédios Varo e Frida Kahlo. Até hoje são as minhas favoritas em temática, cores, profundidade das obras. Remédios por suas cores e sombras e Frida por sua temática e força de mulher latina americana.

Cada vez mais tenho buscado falar sobre o interno, sobre questões de politicas sociais e o corpo da mulher e a obra de vida de Frida com certeza
é uma das que mais me encantam e inspiram. 

 

Como você conheceu a Flavia Aranha ?

Tenho uma história engraçada com a marca da Flávia. Não conhecia nada dela e me inscrevi no curso no SESC Pompéia em 2016. Era janeiro e ao longo das aulas ela indicou documentários e filmes sobre moda sustentável, ela abriu uma porta que nunca mais se fechou na minha vida. Repensar sobre consumo e produção me fez ver a moda uma forma toda diferente.

Ao longo das aulas fui me apaixonando cada vez mais, andando nas ruas e pensando que toda plantinha poderia sair uma cor incrível de dentro. Segui a marca no Instagram e até hoje fui acompanhando seu crescimento. Hoje posso falar que fiz parte da historia da marca também.  

 

 

Conheça mais o trabalho da Dani clicando aqui.

Para conhecer as peças da coleção Mulher Aranha, clique aqui.

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