Colares Pios - Cantos entalhados viram amuletos vestíveis

Colares Pios - Cantos entalhados viram amuletos vestíveis

Os cantos entalhados viram amuletos em nossos novos Colares Pios, desenvolvidos por artesãos da Fábrica de Pios Maurílio Coelho, em um fazer manual que atravessa gerações, guardando memórias da natureza e de tipologias tradicionais tão ricas e inspiradoras. 

 

 

Os pios surgiram da inventividade indígena. São pequenos instrumentos capazes de guardar os sons da fauna, especialmente dos pássaros presentes na natureza. No Brasil, em plena Mata Atlântica, os pios eram feitos em bambu pelos Puris nas redondezas do estado do Espírito Santo. 

No início do século XIX, eram utilizados em atividades de caça comuns àquela época e até percebidos como objetos de arte. Em Cachoeiro do Itapemirim, Maurílo Coelho, atento aos movimentos de vanguarda ao mesmo tempo em que reconhecendo as abundâncias naturais ali presentes, juntou seu impulso criativo às suas habilidades manuais para esculpir pios em madeira, imergindo em pesquisas que o levaram a garantia da chamada dos pássaros. Assim, a Fábrica de Pios foi inaugurada em 1903, mesmo período da chegada da energia elétrica na conhecida Ilha da Luz, onde se localiza e convive com a travessia do Rio Itapemirim.

 

Foto Fabrica de Pios Maurílio Coelho

 

Fábio, terceira geração de apitadores da família Coelho, define os pios como um “instrumento de conexão entre o homem e a natureza”, reafirmando o aspecto sensível desses objetos e conferindo a eles o papel de contemplação dos pássaros, seres dispersores de cantos e sementes resistem matas a fora.

Enquanto atual gestor da Fábrica, Fábio Coelho diz que essa aproximação entre os diferentes seres vivos cada vez mais deve ser pautada na bioética, portanto, o uso dos pios deve acontecer em relações harmônicas, a favor da preservação dos ecossistemas por onde ecoarem seus sons. 

 

Foto Artesol

As madeiras, matérias-primas dos pios, são oriundas principalmente de jatobás certificados e, em peças especiais, do reuso de madeiras nobres. Os formatos e suas variações possibilitam uma diversidade de quarenta e cinco sons.

Os pios têm no mínimo duas partes, a boquilha e corpo, e há ainda os que chegam a ter sete partes: boquilha, eixos, polias, correias, palhetas, buchas, trinadores. Cada uma dessas partes têm funções importantes para qualidade na reprodução dos cantos e na estética dos pios. 

  

 

Dentre os pássaros, a codorna, o macuco, a azulona, a maritaca, o gavião, a coruja, a juriti, o inhambu, e muitos outros formam um acervo que revela nuances de frequências que variam conforme o sopro de quem está piando. 

Em nossos colares, os cantos do inhambu guaçu, inhambu preto e da jacutinga são guardados em entalhes de jatobá, para carregar junto ao peito e ressoar essas histórias de um Brasil contado em manualidades.

 



O trabalho desenvolvido pela Fábrica de Pios Murilo Coelho passa ainda pela troca de conhecimentos em ações sócio educadoras realizadas com palestras em escolas e com a formação de jovens no feitio dos pios, além de convites a observações coletivas de pássaros.

 

Foto Artesol


A memória do som que antes era cunhada em meio a mata se estende para os processos fabris, sem que se perca a essência de um saber-fazer artesanal e minucioso e a escuta atenta à natureza.

Métricas sonoras que nos levam a pensar nas preciosidades circundantes, nos voos livres que queremos carregar no peito.

 

 

 

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